Cartuchos - NES

O Famicom foi lançado no Japão em 1983 e chegou aos Estados Unidos completamente remodelado em 1985 como Nintendo Entertainment System (NES).

Os cartuchos do Famicom não funcionam no NES e vice-versa. No entanto há adaptadores para sanar este problema e alguns clones do NES, como o Top Game da CCE, aceitam os 2 tipos de cartuchos.

A principal diferença entre eles é que os cartuchos do Famicom possuem 60 pinos, enquanto os do NES têm 72 pinos.

Um adaptador de 72 para 60 pinos

Um adaptador de 72 para 60 pinos

Alguns cartuchos mais antigos lançados para o NES são nada mais do que o cartucho original do Famicom combinado com um adaptador para encaixar no slot do NES. Os cartuchos americanos são mais compridos que os japoneses.

Abaixo uma comparação entre um cartucho para o Famicom e outro para o NES do mesmo jogo (Castlevania III):

Castlevania III

Os multicarts (cartuchos com mais de um jogo) existem desde o primeiro console a usar cartuchos (o Channel F de 1976), mas se popularizaram de forma assustadora com o NES. O que ocorre com a maioria dos multicarts é que um cartucho "40 em 1" pode ter só 25 jogos realmente diferentes. Os outros 15 são variações dos 25 jogos existentes. Isso é bastante comum, principalmente em multicarts piratas.

Um multicart 6 em 1 para o NES

Além da própria Nintendo várias outras softhouses licensiadas ou não produziam cartuchos para o NES. Os cartuchos não oficiais costumam ser os mais diferentes, como o cartucho azulzinho de Bible Adventures da Wisdom Tree.

Bible Adventures

A cor padrão dos cartuchos do NES é o cinza. A tonalidade varia de um cinza escuro quase preto até um cinza bem clarinho.

Depois do cinza as cores mais comuns são o preto, azul claro e branco ou creme.

Reparem abaixo a diferença na tonalidade entre esses 2 cartuchos cinzas para o NES.

Rad Gravity

Alpha Mission

Os cartuchos do Famicom e seus clones conseguem ser mais variados ainda que os do NES. Abaixo selecionei alguns exemplos:

Cartucho pirata de Super Mario 3 para o Famicom

Um pirata nacional com o título de Tartaruga Ninja 2

Um bizarro multicart feito para algum clone do Famicom

E finalmente um cartucho de Super Mario nacional numa bizarra embalagem de cartuchos de Master System.

Super Mario Brasil

Tanto os cartuchos como os consoles originais de NES vêm com um chip chamado 10NES. O console original só aceita cartuchos com esse chip e um cartucho original só funciona em consoles que têm esse chip. Acho que a Nintendo foi a primeira empresa do ramo a tentar coibir de maneira efetiva a pirataria tanto de hardware como de software. O Famicom não vinha com esse chip.

A Nintendo também inventou um selo de qualidade para os cartuchos. Os cartuchos devidamente licenciados exibem o "Nintendo Seal of Quality", que segundo a própria é a única garantia de que o cartucho funciona sem problemas no console. Só que para ostentar esse selo a empresa desenvolvedora tinha que pagar a licença. O impacto do selo de qualidade nos cartuchos foi grande e implicava entre outras coisas que todo jogo para receber o selo passava pela censura da Nintendo e o controle da fabricação dos cartuchos também era exclusivo da Nintendo. Além disso, as desenvolvedoras eram obrigadas a pagar adiantado a Nintendo para fabricar os cartuchos. Se os cartuchos encalhassem o problema era da softhouse que desenvolveu o jogo, pois a Nintendo não devolvia a grana pelos cartuchos que não venderam.

Abaixo um cartucho da Hudson com o famigerado Nintendo Seal of Quality.

Adventure Island

Selo - Nintendo

As companhias que se recusaram a pagar licença para a Nintendo ou foram rejeitadas pela própria Nintendo acabaram encontrando formas de burlar o tal chip 10NES. Por exemplo, alguns cartuchos vinham com um circuito que desabilitava o chip e outros vinham com um plugue que permitia que ele fosse conectado a um cartucho original para ser devidamente autenticado.

Essa preocupação da Nintendo em evitar a pirataria e controlar a qualidade dos jogos que saíam para o NES foi reflexo do crash da indústria de videogames norte-americana visto no tópico anterior. A Nintendo aprendeu com os erros da Atari e quis tomar um rumo diferente. O atraso de 2 anos entre o Famicom e o NES foi o tempo necessário para a Nintendo esperar a poeira do crash baixar e desenvolver sua estratégia de lançamento do console no ocidente. Não é a toa que o NES vem equipado com o chip de bloqueio 10NES, que está ausente do Famicom.

Foi durante o reinado do NES que os cartuchos deram um salto em sua capacidade, indo de alguns Kbytes até 1 Megabyte ou mais.

O que mostra o estupendo grau de escalabilidade desse console.

Só que a Nintendo tinha a política de não divulgar abertamente a capacidade dos seus jogos, ao contrário da SEGA, onde a capacidade do cartucho vinha estampada na caixa do jogo. Quando chegarmos no Master System vamos ver que o que veio depois dos Kbytes como medida de capacidade dos cartuchos não foi o Megabyte e sim o Megabit, mas isso é papo pra daqui a pouco.

O maior cartucho de NES que conheço é o multicart Action 52 com incríveis 16 Megabit de capacidade (2 Megabytes). Se considerarmos cartuchos simples, com um único jogo, acho que o campeão é o Metal Slader Glory com 8 megabit de memória (1 Megabyte).

Action 52

Action 52 - Transparente

O Action 52 acima também foi o cartucho mais caro já vendido para o NES. O preço sugerido para ele era de 199 dólares (cheque a imagem da caixa).

Acredito que só o Neo-Geo teve cartuchos mais caros.

Só para efeito de curiosidade, os menores cartuchos de NES têm apenas 8K, como Galaxian.

A Nintendo usou chips especiais em vários de seus cartuchos para que seus jogos fizessem coisas tidas como impossíveis para o console, prolongando assim a vida útil do NES. Essa prática também foi incorporada ao sucessor do NES, o Super Nintendo.

Por exemplo, alguns cartuchos do NES possuem um chip adicional para prover um melhor som. O já citado Metal Slader Glory é um desses.

O primeiro cartucho da história dos videogames a ter uma bateria para salvar o jogo também pertence ao NES. É o The Legend of Zelda lançado em 1987 nos Estados Unidos.

O histórico cartucho dourado de Legend of Zelda

Por tudo isso que citei aqui o NES tem um papel fundamental na história dos cartuchos de videogames.

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